Trabalhadores do frigorífico Balbinos, de Sidrolândia, realizaram uma manifestação em frente à unidade na manhã desta quinta-feira (27), para cobrar o pagamento de salários, verbas rescisórias e outros direitos trabalhistas que, segundo o sindicato, estão atrasados. A mobilização contou com a participação do Sindaves (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Carnes e Aves de Sidrolândia) e da CUT-MS (Central Única dos Trabalhadores).
Em entrevista ao Noticidade, o presidente do Sindaves, Joel Santos da Cruz, afirmou que os trabalhadores foram surpreendidos com a demissão em massa no dia 14 de agosto, quando chegaram para trabalhar e foram informados sobre o desligamento.
Segundo Joel, aproximadamente 350 funcionários foram demitidos e, até o momento, não teriam recebido valores referentes ao pagamento que já estava atrasado, às verbas rescisórias e à multa de 40% do FGTS. O sindicalista também afirmou que a empresa não teria procurado o sindicato para negociar a forma de desligamento e pagamento dos trabalhadores.
“Eles chegaram no último dia 14 para trabalhar e foram pegos de surpresa, onde todos foram demitidos. E a empresa nem procurou o sindicato”, relatou Joel.
Ainda conforme o presidente do Sindaves, a empresa teria informado que os valores das rescisões seriam pagos no dia 24 de agosto, o que, segundo ele, não ocorreu. Os trabalhadores teriam recebido apenas a documentação necessária para dar entrada no seguro-desemprego.
Sindicato ingressou com ação na Justiça
Joel afirmou que o departamento jurídico do sindicato já ingressou com uma ação judicial para cobrar os direitos dos trabalhadores. Entre as reivindicações estão os salários atrasados, as verbas rescisórias e a cesta básica prevista em acordo coletivo, que, segundo o sindicato, também não teria sido entregue.
O sindicalista afirmou que a entidade busca uma audiência com a Justiça para tentar acelerar uma solução para os trabalhadores. Além da cobrança à empresa, o sindicato pretende buscar diálogo com a Prefeitura e a Câmara Municipal. Joel também afirmou que pretende solicitar uma reunião com o prefeito e buscar o apoio dos vereadores para discutir a situação dos funcionários dispensados.
CUT também participou da manifestação
O presidente da CUT-MS, Vilson Gregório, participou do ato e afirmou que a manifestação desta semana deve ser apenas a primeira de uma série de mobilizações.
Segundo ele, a entidade pretende ampliar as cobranças junto ao poder público e à Justiça para garantir que os trabalhadores recebam os valores devidos. “Mais de 350 trabalhadores demitidos sem sequer ter recebido o seu acerto, sem sequer ter uma satisfação de algum dia que vai receber”, afirmou.
Vilson também criticou o que classificou como uma situação recorrente envolvendo empresas que se instalam em municípios com a promessa de geração de empregos e, posteriormente, encerram as atividades deixando trabalhadores com pagamentos pendentes.
Ele citou outros casos envolvendo frigoríficos no Estado e defendeu maior acompanhamento do poder público sobre as empresas instaladas nos municípios.
Trabalhadores cobram resposta
Durante a manifestação, os representantes sindicais destacaram que o seguro-desemprego não substitui os valores que seriam de responsabilidade da empresa, como salários e verbas rescisórias.
A preocupação, segundo os sindicalistas, é com a situação financeira das famílias que ficaram sem receber os valores esperados após a demissão.
O Sindaves informou que pretende manter as mobilizações caso não haja uma solução. Entre as próximas ações previstas estão reuniões e cobranças junto à Prefeitura de Sidrolândia e à Câmara Municipal, além do acompanhamento do processo judicial.
Até o momento, as informações sobre os valores pendentes e os prazos para pagamento são as apresentadas pelos representantes sindicais durante a manifestação. A reportagem poderá acrescentar a posição do frigorífico Balbinos caso a empresa se manifeste sobre as acusações e os pagamentos aos trabalhadores.