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Desde junho, guerra entre CV e PCC já causou 13 homicídios e tentativas em Sidrolândia

Delegado da Polícia Civil aponta sequência de homicídios e tentativas ligados à disputa entre CV e PCC desde junho.

Redação - Noticidade
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Desde junho, guerra entre CV e PCC já causou 13 homicídios e tentativas em Sidrolândia

Da esquerda para a direita: Tobias, Cleiderson e Douglas Amorim, assassinados em meio à disputa entre facções criminosas. (Foto: Reprodução)

A disputa entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) está no centro de uma investigação que reúne 13 homicídios consumados e tentativas de homicídio em Sidrolândia desde junho. Segundo o delegado Guilherme Oliveira Pena, responsável pelas apurações, os crimes apresentam indícios de uma sequência de ataques e retaliações entre integrantes ou suspeitos de ligação com as duas facções.

A Polícia Civil investiga se a disputa está relacionada ao domínio territorial, ao tráfico de drogas e às rotas de distribuição de entorpecentes em Mato Grosso do Sul. Conforme o delegado, criminosos de outros municípios também estariam se deslocando para Sidrolândia para executar ataques.

Disputa começou com morte no Capão Seco

Um dos primeiros episódios ocorreu em junho, no distrito de Capão Seco, onde Tobias Felipe Ribeiro de Carvalho foi morto em um suposto “tribunal do crime”. Na sequência, houve uma tentativa de homicídio contra um homem conhecido como “Cabeça Gorda”, pela qual, segundo o delegado, dois suspeitos ligados ao Comando Vermelho foram presos.

A investigação também envolve o caso de “Maranhão”, que, conforme a denúncia, teria sido julgado por integrantes de uma organização criminosa após ser acusado de repassar informações à polícia. A ordem de execução teria partido de “Cabeça Gorda”, que participou do julgamento por videochamada enquanto estava preso.

A vítima foi espancada, amarrada e colocada no porta-malas de um Corsa para ser levada a uma área rural, mas conseguiu escapar durante o trajeto.

Morte de Costela teria provocado retaliação

No fim de agosto, Alessandro dos Santos, conhecido como “Costela”, foi baleado por um homem que se aproximou a pé no Bairro Cascatinha II. Ele morreu após ser socorrido em estado gravíssimo ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa.

Segundo a linha investigativa, a morte teria provocado uma reação do Comando Vermelho. Horas depois, homens armados invadiram uma residência no Residencial Cascatinha II e executaram Cleiderson Chaves da Rocha, de 22 anos. Uma mulher era mantida refém na cozinha. O delegado informou que vários suspeitos foram identificados e dois acabaram presos no dia seguinte.

Entre os casos investigados também estão ataques atribuídos a integrantes das facções contra pessoas apontadas como ligadas ao grupo rival. Paulo Ricardo Bueno, conhecido como “Terrível” ou “Pierre CV”, apontado pela polícia como integrante do Comando Vermelho, morreu em setembro durante uma abordagem do Garras, em Campo Grande. Ele era investigado por possível envolvimento em ataques a tiros em Sidrolândia.

Homicídios e tentativas continuaram em setembro

Na madrugada de 11 de setembro, Leomar Nunes foi baleado no Bairro Jatobá. Conforme o registro policial, dois homens chegaram de motocicleta, lançaram artefatos semelhantes a coquetéis molotov contra uma residência e efetuaram disparos.

No dia, um adolescente de 17 anos foi assassinado a tiros na cidade. Testemunhas relataram que dois homens chegaram de bicicleta e atiraram contra ele. Dias depois, Douglas Amorim Lopes, de 36 anos, também foi morto a tiros no Bairro Jatobá. A polícia investigou a possível ligação dele com uma facção criminosa.

Outro episódio foi uma tentativa de homicídio contra um homem que estava na casa da namorada quando um casal chegou de motocicleta e abriu fogo. Mesmo baleado, ele conseguiu fugir e buscar atendimento. Dois suspeitos foram presos, armas e munições foram apreendidas e, segundo o registro policial, um dos envolvidos confessou os disparos.

Para o delegado, os episódios seguem uma lógica de retaliação. “Todos os homicídios têm relação, no sentido de serem retaliações. Uma com a outra. O CV ataca e aí o PCC, para mostrar poder, vai e ataca de novo. E vai sendo assim”, afirmou.

Polícia investiga conexões com outras cidades

A Polícia Civil aponta indícios de que integrantes das facções circulam entre municípios para cometer crimes e depois retornam às cidades de origem. Maracaju está entre os locais citados na investigação.

“São do mesmo grupo. O Comando Vermelho tem relação entre eles e o PCC o mesmo. Inclusive, estão tendo muitos atentados ali em Maracaju, e, bem perto daqui, achamos também que algumas pessoas de lá vêm cometer aqui e voltam para lá e vice-versa”, declarou Guilherme Oliveira Pena.

Na avaliação do delegado, a disputa também pode envolver o controle das rotas do tráfico de drogas. Ele citou movimentações de facções desde Sonora, no norte do Estado, e afirmou que os investigadores trabalham para mapear os envolvidos, cumprir mandados e realizar prisões.

Suspeitos do CV morrem em confronto com a Polícia

Quatro suspeitos morreram durante uma operação policial na tarde de sexta-feira (9), em um imóvel na Rua Adolício Pereira da Silva, em Sidrolândia.

A ação mobilizou equipes do Garras e do Batalhão de Polícia Militar de Choque (BPChoque), com apoio de outras unidades. Os mortos tinham entre 17 e 21 anos. Três foram identificados pelas iniciais J.G.S.S., de 19 anos; V.T.A., de 19; e T.M.A.O., de 21. A identidade do adolescente de 17 anos não foi divulgada, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Segundo as forças de segurança, os quatro eram investigados por possível envolvimento em crimes violentos e apontados como integrantes do Comando Vermelho. A polícia apura a possível participação deles em ataques registrados em Sidrolândia, Maracaju e Rio Brilhante.

Conforme a versão policial, as equipes anunciaram a presença ao se aproximarem do imóvel, mas teriam sido recebidas a tiros. Durante a entrada na residência, outros indivíduos armados também teriam disparado contra os agentes. Os policiais reagiram, e os quatro suspeitos foram baleados. Eles foram socorridos e levados ao hospital, mas morreram.

No local, foram apreendidos dois revólveres calibre .38, um revólver calibre .32, uma pistola calibre 7,65 milímetros, uma motocicleta Honda Fan 125 e latas de tinta spray vermelha.

As circunstâncias do confronto serão apuradas pelos órgãos competentes. As quatro mortes não integram o balanço dos 13 homicídios e tentativas relacionados à disputa entre as facções mencionado pelo delegado.

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