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Bope prende cinco em Sidrolândia e Campo Grande na terceira fase da Operação Malleus

Dez mandados foram expedidos e Sidrolândia é o epicentro da guerra entre CV e PCC que já elevou os homicídios em 55,6% na cidade

Redação - Noticidade
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Bope prende cinco em Sidrolândia e Campo Grande na terceira fase da Operação Malleus

A inclusão de Sidrolândia na terceira fase não é incidental. O município vive desde junho uma onda de violência que as autoridades atribuem ao confronto entre CV e PCC. Foto: Reprodução

Cinco pessoas foram presas pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul na manhã desta sexta-feira (6), durante a deflagração da Operação Malleus III. A ação, terceira fase da ofensiva contra o crime organizado no Estado, cumpriu mandados de prisão em Campo Grande e em Sidrolândia — município que concentra, desde junho, uma escalada de execuções atribuída à disputa territorial entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Dez mandados de prisão foram expedidos pela Justiça para cumprimento nas duas cidades. Até o início da manhã, pelo menos cinco haviam sido cumpridos, e os presos foram encaminhados à Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada), em Campo Grande. Os nomes dos detidos não foram divulgados.

Os números do balanço divergem entre as fontes consultadas ao longo da manhã. O Campo Grande News registrou seis mandados cumpridos até as 9h, todos na Capital, enquanto o Midiamax apurou cinco prisões no conjunto das duas cidades. A reportagem manteve o dado mais conservador e confirmado pelas duas apurações. As diligências prosseguiam ao longo do dia para o cumprimento das ordens judiciais remanescentes.

O que a operação mira - Segundo a Polícia Militar, a terceira fase da Malleus foi deflagrada para capturar pessoas ligadas ao crime organizado, com foco em grupos envolvidos em homicídios, tráfico de drogas e crimes contra o patrimônio. A operação é conduzida pelo Bope, unidade de elite da PM sul-mato-grossense acionada em ações de alta complexidade e risco.

O nome da ofensiva vem do latim malleus, "martelo" — referência, segundo a corporação, ao rigor da lei e ao combate firme às facções. A operação vem sendo desenvolvida de forma contínua no Estado, com fases sucessivas ao longo de 2026.

Por que Sidrolândia está no centro da operação - A inclusão de Sidrolândia na terceira fase não é incidental. O município de cerca de 50 mil habitantes, segundo a estimativa do IBGE para 2026, vive desde junho uma onda de violência que as autoridades atribuem ao confronto entre CV e PCC pelo controle do tráfico local.

Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram a dimensão do problema. Nos primeiros nove meses de 2026, Sidrolândia registrou 14 vítimas de homicídio, contra nove no mesmo período de 2025 — alta de 55,6%. O número supera em 40% os dez assassinatos contabilizados em todo o ano anterior. As tentativas de homicídio seguiram a mesma curva: de nove em 2025 para 14 em 2026, também 55,6% de aumento.

O delegado Guilherme Oliveira Pena, responsável pelas investigações de crimes violentos no município, afirmou que ao menos 13 ocorrências entre homicídios consumados e tentativas têm ligação direta com o confronto, motivado por retaliações e pela disputa pelo controle do tráfico de drogas.

O número de homicídios seguiu subindo depois do levantamento. Em 1º de novembro, Sidrolândia registrou o 18º assassinato do ano: um adolescente de 15 anos foi executado a tiros na Rua Noroeste, próximo ao Residencial Golden, por volta das 8h10. A Polícia Civil investiga a possível relação do caso com a guerra de facções.

A escalada em Sidrolândia desencadeou uma sequência de ofensivas policiais. A mais letal ocorreu em 9 de outubro, no bairro Alto da Figueira, quando uma ação conjunta do Batalhão de Choque e da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) terminou com quatro suspeitos mortos.

Segundo a versão policial, os agentes foram recebidos a tiros ao se aproximar de uma residência na Rua Adolício Pereira da Silva, apontada como esconderijo de integrantes do CV suspeitos de atentados em Sidrolândia, Maracaju e Rio Brilhante. Um escudo balístico foi atingido durante a troca de disparos. Os quatro ocupantes foram baleados, socorridos e levados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, onde as mortes foram constatadas. Na casa, foram apreendidos dois revólveres calibre .38, um revólver calibre .32, uma pistola calibre 7,65 milímetros e uma motocicleta Honda Fan 125 supostamente usada em atentados.

Com essa ação, o município chegou a sete suspeitos mortos em confrontos com as forças de segurança em 2026. Em fevereiro houve um confronto na região do Capão Seco; entre maio e julho, foram registradas as mortes de Claudenir Martins de Oliveira, Matheus Espíndola de Araújo e Natanael Dener Marques Medeiros, conhecido como "Biju".

Um paradoxo nos indicadores oficiais

Os números da criminalidade em Sidrolândia apontam em duas direções. Em julho, a prefeitura divulgou levantamento baseado em informações da Sejusp, analisadas pelo Instituto de Gestão Territorial e Geotecnologias (IGTECH) no âmbito da revisão do Plano Diretor, que mostrava redução geral das ocorrências: de 2.333 registros em 2024 para 1.388 até outubro de 2025. Os crimes violentos caíram de 134 para 69; os crimes contra a pessoa, de 450 para 264; os crimes contra o patrimônio, de 969 para 631.

O recorte, porém, compara 2024 com 2025 — e não capta a inflexão ocorrida a partir de junho de 2026, quando a disputa entre as facções se intensificou. Os dados da Sejusp usados pela imprensa regional mostram que os homicídios no município cresceram 55,6% nos primeiros nove meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A divergência não é contraditória: são janelas temporais distintas. Mas o contraste evidencia como a série histórica de segurança pública pode mascarar mudanças rápidas no território — e reforça a leitura de que a escalada em Sidrolândia é fenômeno recente, ligado à reorganização de facções, e não uma tendência de longo prazo.

A PM não divulgou quantos dos dez mandados se referem a Sidrolândia e quantos a Campo Grande, nem os crimes específicos atribuídos a cada alvo desta terceira fase. Também não informou se os presos têm ligação direta com os episódios de violência registrados no município nos últimos meses, nem se há conexão entre os detidos e as facções CV ou PCC.

Não há confirmação oficial sobre a identidade dos presos, o local exato das prisões em Sidrolândia ou a existência de novos alvos sendo monitorados. A reportagem procurou os dados junto à assessoria da PMMS; até a publicação desta matéria, essas informações não haviam sido detalhadas.

A Operação Malleus permanece em andamento, com mandados remanescentes a cumprir. O avanço das diligências ao longo do dia deve atualizar o balanço de prisões.

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