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Alcoolizado e sem CNH, motorista tentava conversão de ré e provocou acidente que matou motociclista

O impacto arremessou o motociclista para a frente. De acordo com informações do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Wilder sofreu um corte profundo no pescoço, que teria atingido uma artéria, e já estava sem sinais vitais quando a equipe chegou ao local.

Redação - Noticidade
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Alcoolizado e sem CNH, motorista tentava conversão de ré e provocou acidente que matou motociclista

O suspeito, Gustavo Henrique de Oliveira Dias, de 28 anos, foi encaminhado à delegacia após ser autuado por homicídio no trânsito. O teste do bafômetro registrou 0,88 mg de álcool por litro de ar expelido — índice que, conforme a legislação, caracteriza crime a partir de 0,34 mg/l, com máximo tolerado de 0,04 mg/l. (Foto: Gabriel do Carmo - Topmidianews)

Um acidente no início da manhã desta sexta-feira (7) terminou com a morte de um motociclista de 37 anos e a prisão em flagrante do condutor de um Volkswagen Golf na Rua Montese, no bairro Vila Olinda, em Campo Grande. A vítima, identificada como Wilder dos Santos Rodrigues, morreu ainda no local, antes da chegada do socorro.

O suspeito, Gustavo Henrique de Oliveira Dias, de 28 anos, foi encaminhado à delegacia após ser autuado por homicídio no trânsito. O teste do bafômetro registrou 0,88 mg de álcool por litro de ar expelido — índice que, conforme a legislação, caracteriza crime a partir de 0,34 mg/l, com máximo tolerado de 0,04 mg/l. Aos policiais, ele admitiu ter ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Foi constatado ainda que o condutor não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Segundo a apuração inicial da Polícia Militar, o Golf estava na Rua Montese, no sentido bairro-Centro, quando o motorista iniciou uma manobra de marcha à ré para acessar a Rua Júlio Anffe — trafegando, portanto, na contramão da via. Nesse momento, a motocicleta Honda CG Fan 150 conduzida por Wilder atingiu a traseira do veículo.

O impacto arremessou o motociclista para a frente. De acordo com informações do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Wilder sofreu um corte profundo no pescoço, que teria atingido uma artéria, e já estava sem sinais vitais quando a equipe chegou ao local. Com a força da batida, a parte frontal da motocicleta e a traseira do carro ficaram completamente destruídas.

Uma estudante de 22 anos que presenciou a cena relatou que o condutor do carro tentava atravessar a rua de ré quando atingiu o motociclista. Testemunhas também afirmaram que a moto estaria em alta velocidade — informação que ainda será confrontada com a perícia técnica, responsável por confirmar a dinâmica exata da colisão.

De acordo com a Polícia Militar, após o acidente o motorista tentou fugir, mas foi contido e permaneceu no local até a chegada das equipes. No momento da abordagem, os policiais relataram sentir forte odor etílico ao se aproximar do suspeito.

Antes de entrar na viatura, Gustavo fez uma ligação em seu telefone. "Eu tô indo pra delegacia, mas avisa a mãe que eu tô de boa. Um cara que bateu no meu carro", disse o motorista, invertendo a dinâmica relatada pelas testemunhas. Ele chegou a entrar no banco de trás da viatura, mas foi retirado pelos policiais e colocado na cela do veículo.

Informações preliminares indicam que o condutor teria passado a madrugada com um amigo em um bar na esquina onde ocorreu o acidente. A fiscalização também verificou que tanto o Golf quanto a motocicleta estavam com a documentação em atraso. O trecho da Rua Montese foi interditado para o isolamento da área, afetando o trânsito na região, que fica nas proximidades do Estádio Morenão.

O caso deve ser enquadrado no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, que prevê detenção de 2 a 4 anos para homicídio culposo na direção de veículo automotor — pena aumentada de um terço à metade quando o condutor está sob influência de álcool, como indica o resultado do bafômetro.

O condutor também responderá pelo artigo 306 do CTB, que criminaliza a condução de veículo com capacidade psicomotora alterada pelo consumo de álcool (índice igual ou superior a 0,34 mg/l), com detenção de 6 meses a 3 anos, multa e suspensão da CNH. Outras infrações de trânsito, como a manobra irregular e a falta de habilitação, seguem sendo apuradas.

O caso permanece sob investigação, com a perícia responsável por definir a dinâmica exata da colisão e eventuais responsabilidades. A vítima, conforme apuração inicial, estaria a caminho do trabalho no momento do acidente.

Motociclistas lideram mortes no trânsito da Capital - O caso reacende o alerta sobre a violência no trânsito em Campo Grande. Dados do Grupo de Análise de Sinistros de Trânsito do GGIT apontam que a Capital registrou 55 mortes em sinistros de trânsito em 2025. Em 2026, de janeiro a maio, foram 19 vítimas fatais, sendo os motociclistas a maioria absoluta — grupo que responde por mais de 80% das mortes na cidade neste ano, segundo levantamento do Bptran.

O cenário se repete no Estado: Mato Grosso do Sul registrou 202 mortes no trânsito em 2025, uma média de uma vítima a cada 26 horas, conforme dados da Sejusp. No mesmo ano, mais de 47,3 mil pessoas foram vítimas de acidentes de trânsito em MS, segundo o Detran/MS. Somente no primeiro semestre de 2026, Campo Grande contabilizou mais de 2 mil acidentes envolvendo motos.

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