O CIMI (Conselho Indigenista Missionário) publicou uma nota confirmando a ação de retomada na região Buriti e fez questão de negar que houve uso de violência. “Nas redes sociais, articulam informações falsas a partir de vídeos de incitação à violência para mobilizar um despejo forçado feito de forma privada. Eles distorcem os fatos afirmando que não se trata de terra indígena e que no local há crianças e mulheres feitas reféns, o que os Terena negam”, disse o conselho.
Uma produtora rural esteve na delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia e registrou um boletim de ocorrência logo após a ação de retomada dos indígenas alegando que haviam reféns no local e inclusive colocaram fogo em uma ponte.
Ainda de acordo com o CIMI, os Terena retomaram a Fazenda São Sebastião da Serra, sobreposta à Terra Indígena (TI) Buriti, no município de Sidrolândia no final da tarde de ontem. A decisão pela retomada ocorreu porque, nesta última década, não houve avanço no procedimento demarcatório, mantendo o povo alijado de parte importante do seu território tradicional.
Na manhã deste domingo (14), militares da Força Tática e da Tropa de Choque foram a região de conflito, ainda não há informações sobre o desfecho da ação policial, ou se a Força Nacional será convocada.
Conflito há anos - Em 30 de maio de 2013, Oziel Gabriel Terena, de 35 anos, foi morto durante uma ação policial de reintegração de posse na Fazenda Buriti, também sobreposta à TI. O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que o disparo fatal partiu das forças policiais em uma operação classificada como falha. Ninguém foi punido. Na Fazenda São Sebastião da Serra, em junho de 2013, Josiel Gabriel Terena, de 34 anos, levou um tiro nas costas enquanto trafegava nas imediações da área. O indígena ficou tetraplégico e ninguém foi responsabilizado, ele alega que foi vítima de seguranças que estavam armados na área.