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PL domina a nova ALEMS: Zé Teixeira é o mais votado, Puccinelli retorna e apenas duas mulheres são eleitas

O PL confirmou o que as pesquisas antecipavam e elegeu a maior bancada da Casa: nove cadeiras.

Redação - Noticidade
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PL domina a nova ALEMS: Zé Teixeira é o mais votado, Puccinelli retorna e apenas duas mulheres são eleitas

Os eleitores de Mato Grosso do Sul definiram neste domingo (4) os 24 deputados estaduais que ocuparão a Assembleia Legislativa entre 2027 e 2031. O PL confirmou o que as pesquisas antecipavam e elegeu a maior bancada da Casa: nove cadeiras. O destaque é Zé Teixeira, que deixou o PSDB pelo PL em março deste ano e foi o mais votado, com 53.709 votos na parcial de 99,28% — a maior votação da carreira.

O pleito estadual acontece no mesmo domingo em que o governador Eduardo Riedel (PP) foi reeleito já no primeiro turno, com 67,36% dos votos válidos (763.725 votos), e o Estado elegeu dois senadores do PL, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar. Foram 253 candidatos disputando as 24 cadeiras, perante um eleitorado de 2.057.027 aptos a votar.

O nono mandato de Zé Teixeira - Produtor rural com base em Dourados e na região sul do Estado, Zé Teixeira venceu todas as eleições que disputou para a Assembleia: 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Em fevereiro de 2027, assume o nono mandato consecutivo. Se cumprir o novo ciclo até o fim, em janeiro de 2031, completará 36 anos seguidos na Casa.

Os números mostram a escalada: estreou em 1994 pelo então PFL, com 13.303 votos; em 2018, ainda pelo PSDB, recebeu 30.788; em 2022, 39.329. Os 53.709 de agora representam um salto de 36,6% sobre a última eleição — e a primeira disputa dele pelo PL, partido que adotou em março de 2026, após anunciar a saída do PSDB.

PL nove, PT quatro: o mapa das bancadas - Além de Zé Teixeira, o PL elegeu Paulo Corrêa (44.404 votos na parcial de 99,28%), ex-presidente da ALEMS; Coronel David (41.425), ex-comandante-geral da PMMS; Gianni Nogueira (36.056), vice-prefeita de Dourados; Odilon Ribeiro (35.526), ex-prefeito de Aquidauana; Daverson Matos (30.513), ex-vereador de Rio Brilhante que contou com o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira; André Salineiro (28.394), policial federal e vereador de Campo Grande; Lucas de Lima (26.163); e Márcio Fernandes (23.080), na Casa desde 2007.

O PT terá a maior bancada de oposição, com quatro cadeiras: Zeca do PT (42.004), o primeiro governador eleito pelo partido no Estado (1999–2006); Tiago Botelho (39.062), professor universitário que disputou o Senado em 2022 e obteve 178.778 votos (13,07%); Gleice Jane (29.488), que assumiu a vaga de Amarildo Cruz após a morte do parlamentar, em abril de 2023, e triplicou a votação de 2022 (9.767); e Pedro Kemp (27.590), psicólogo e ex-secretário estadual de Educação.

O PSDB elegeu três: Pedro Caravina (42.817 na parcial de 98%), delegado e ex-prefeito de Bataguassu; Ângelo Guerreiro (37.628), ex-prefeito de Três Lagoas; e Paulo Duarte (19.837), economista que foi secretário de Fazenda, Infraestrutura e Governo no Estado. O PP, dentro da federação União Progressista (com o União Brasil), também fez três: Gerson Claro (35.705), presidente da ALEMS desde 2023; Londres Machado (33.155), que presidiu a Casa em diversas ocasiões, integrou a Constituinte estadual e chegou a governar interinamente; e Hélio Peluffo (31.405), arquiteto de Ponta Porã em sua primeira candidatura.

Completam o quadro: André Puccinelli (MDB, 40.368), Renato Câmara (Republicanos, 20.847), Pedro Pedrossian Neto (Republicanos, 19.460), Rinaldo Modesto (União Brasil, 23.710) e Lídio Lopes (Avante, 20.516), marido da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes.

Retornos e estreantes - Segundo levantamento do portal A Crítica com base na parcial do TSE, 16 dos 24 deputados da legislatura atual renovaram o mandato. A Casa terá, portanto, oito rostos novos — três deles retornos: Puccinelli, que governou MS entre 2007 e 2014, foi prefeito de Campo Grande por dois mandatos e em 2022 disputou o governo (ficou em terceiro, com 247.093 votos); Guerreiro, líder histórico do Bolsão; e Duarte, ex-prefeito de Corumbá. Estreiam Botelho, Daverson Matos, Salineiro — vereador mais votado de MS em 2016 —, Gianni Nogueira e Peluffo.

A nova Assembleia terá apenas duas mulheres: Gleice Jane (PT), reeleita, e Gianni Nogueira (PL), primeira eleição. Elas ocuparão cerca de 8% das cadeiras, e a bancada feminina encolhe em relação à legislatura atual, como registrou o JD1. O contraste com a bancada federal é evidente: MS elegeu quatro deputadas federais — Camila Jara (PT), Rose Modesto (União Brasil), Mara Caseiro (PL) e Isa Marcondes (Republicanos) — e, pela primeira vez, metade de suas oito cadeiras na Câmara será ocupada por mulheres.

O pleito que redesenhou MS - A eleição da nova ALEMS ocorre em um cenário de consolidada direita no Estado. Riedel venceu no primeiro turno com folga sobre Fábio Trad (PT), que recebeu 261.080 votos — resultado praticamente idêntico à última pesquisa Quaest antes do pleito, que apontava 67% a 23%. O MS foi o primeiro estado do país a definir o resultado para governador.

No Senado, o PL fez uma dobradinha: Reinaldo Azambuja, ex-governador (2015–2022), e Capitão Contar (Renan Contar) somaram 67,94% dos votos válidos com 95% das seções apuradas — na parcial anterior, registravam 726.807 (34,58%) e 703.645 votos (33,48%), respectivamente. Os dois assumem em 2027 mandatos de oito anos, até 2035.

Na Câmara dos Deputados, o PL também elegeu a maior bancada federal, com três das oito cadeiras (Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira). Camila Jara (PT) foi a mais votada, com 152.939 votos — ela própria recordista: em 2022, havia sido eleita com 56.552. A federação União Progressista fez duas (Rose Modesto e Dagoberto Nogueira) e o Republicanos, duas (Beto Pereira e Isa Marcondes).

O quociente eleitoral estadual — os votos válidos divididos pelas 24 cadeiras — ficou em 56.219 votos na parcial de 97,55% das seções. Foi justamente o sistema proporcional que garantiu a Zé Teixeira a liderança isolada: ele não atinge o quociente sozinho, mas o PL, maior bancada, elegeu todos os seus nove mais votados.

O que muda a partir de 2027

A composição reforça perfis ligados ao agronegócio, à segurança pública e ao municipalismo: além dos produtores rurais e dos ex-comandantes de segurança, a Casa passa a contar com cinco ex-prefeitos (Guerreiro, Odilon Ribeiro, Caravina, Renato Câmara e Paulo Duarte) e dois ex-governadores (Puccinelli e Zeca do PT). Gerson Claro, reeleito, chega ao novo ciclo após presidir a ALEMS desde 2023.

Para o governo, a renovação traz continuidade institucional — 16 dos 24 eleitos já conhecem o regimento da Casa — e uma bancada majoritariamente alinhada às pautas do setor produtivo. Na oposição, o PT parte de sua maior bancada em anos, com quatro cadeiras, mas sem espaço para repetir na Assembleia o avanço feminino que marcou a disputa federal.

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