O candidato ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul pelo Partido da Causa Operária (PCO), Valdir Garcia, apresentou suas principais propostas durante entrevista concedida ao Jornal Midiamax. Entre os temas abordados estiveram conflitos agrários, direitos indígenas, atuação do Congresso Nacional, relação entre os Poderes, emendas parlamentares e desigualdade social.
Entre as propostas apresentadas pelo candidato está uma mudança que ele próprio classificou como “revolucionária e comunista” na estrutura política brasileira. Garcia afirmou que, caso seja eleito, pretende priorizar no Congresso pautas relacionadas a trabalhadores, indígenas, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pessoas LGBT.
“Eu quero um Congresso que tenha o povo mais sofrido, mais oprimido e mais violado nos seus direitos”, afirmou.
Salário mínimo de R$ 10 mil
Um dos pontos de maior destaque da entrevista foi a defesa de um salário mínimo de R$ 10 mil. Garcia comparou a renda dos trabalhadores com os vencimentos recebidos por parlamentares e criticou os privilégios da classe política.
Segundo o candidato, uma renda nessa faixa seria suficiente para garantir melhores condições financeiras às famílias. “Um bom salário de R$ 10 mil poderia pagar todo o orçamento familiar que nós podemos fazer hoje”, declarou.
Garcia também defendeu a redução da remuneração de deputados e senadores como parte de sua proposta de combate às desigualdades. “Isso para mim é uma desigualdade muito grande e nós precisamos combater isso na raiz”, afirmou.
Críticas ao Congresso
Questionado sobre os critérios que adotaria para distribuir recursos públicos entre os 79 municípios do Estado, Garcia afirmou que pretende mudar a lógica que, segundo sua avaliação, atualmente predomina no Congresso.
“Eu quero fazer de tudo para que esse Congresso, esse Senado Federal, seja passado a limpo”, afirmou.
O candidato disse que priorizaria trabalhadores e grupos sociais que considera historicamente prejudicados. “Todos os que estão lá fazem alguma lei e aprovam leis apenas para favorecer pessoas grandes e poderosas”, declarou.
Garcia classificou sua proposta como “muito radical” e afirmou que pretende adotar uma orientação política baseada no comunismo.
Emendas parlamentares
A utilização das emendas parlamentares também foi discutida durante a entrevista. Garcia voltou a criticar os privilégios dos políticos e defendeu mudanças na destinação dos recursos públicos.
O candidato afirmou que seu mandato teria como foco a população de baixa renda e grupos que, segundo ele, possuem pouca representação política. “Precisa dar menos privilégio para os políticos, para os que estão já na carreira política, porque ganham demais”, afirmou.
Questionado sobre a relação entre Executivo e Legislativo na definição dos gastos públicos, Garcia defendeu uma mudança no modelo político e voltou a citar a necessidade de reduzir os privilégios dos parlamentares.
Proposta de transformação política
Ao longo da entrevista, Garcia repetiu que sua candidatura representa uma proposta de mudança profunda na estrutura política. “Na minha visão, o Congresso precisa passar por uma mudança radical”, afirmou.
Ele também disse que pretende ampliar a presença de indígenas e trabalhadores no Senado caso seja eleito. “Eu espero que com muito esforço eu possa conseguir abrir as portas do Senado para muitas outras pessoas indígenas entrarem e muitas outras pessoas humildes como eu”, declarou.
Ao final, o candidato afirmou que pretende unir as pautas indígenas e trabalhistas e defendeu uma transformação social baseada nas propostas do PCO. “Vamos continuar junto, unindo as forças entre indígenas e trabalhadores, a classe operária, e vamos conquistar um Brasil de verdade, um Brasil que tenha justiça social e igualdade para todos”, afirmou.