Publicado em 08/06/2017 às 10:46,

Após palestra com ‘ares’ de culto, MP recua e desmarca 2ª edição de evento

Redação,

Depois da polêmica palestra com “ares” de pregação religiosa ministrada pelo procurador de Justiça e pastor de igreja evangélica Sérgio Harfouche, o MPE (Ministério Público Estadual) decidiu adiar a convocação de mais pais para ouvirem a apresentação no Estádio Douradão. A segunda edição do evento estava marcada para sexta-feira (9).

Por enquanto, as escolas da rede estadual em Dourados – a 228 km de Campo Grande – não receberam comunicados oficiais sobre o cancelamento da palestra, mas já ouviram o “burburinho”. “Também, depois da polêmica, toda acho que vão cancelar mesmo”, comentou uma funcionária com a reportagem.

Oficialmente, o MPE confirma que a grande reunião com os pais dos adolescentes dos colégios estaduais. Mas, alega que vão precisar de mais tempo para organizar o evento por causa da quantidade de público.

Polêmica – Convocada sob pena de multa de até R$ 18 mil para quem faltasse, a primeira palestra procurador Sérgio Harfouche em Dourados lotou o estádio Douradão na última no dia 25 de maio.

O tema principal foi evasão escolar, mas a explanação terminou com a expulsão da feitiçaria, dando margem à polêmica sobre o Estado Laico – que defende que a religião não deve ter influência nos assuntos do Estado.

No começo da oração, o pastor foi advertido pelo grito de um dos participantes de que ele “não estava na igreja”. Então, Harfouche consultou o público de dez mil pessoas e, diante do apoio da maioria, retomou a pregação.

“Tira fora toda a maldade, a rebelião, a incredulidade, a bruxaria, fica fora feitiçaria, idolatria, derramamento de sangue, uso de drogas, indisciplina, infrações”, disse o representante do MPE.

O debate começou nas redes sociais, virou matéria do Campo Grande News, foi parar no Fantástico, motivou documento assinado por 72 juristas que pedem providências à OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil) e resultou em na abertura de investigação do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) sobre a conduta do procurador, nesta ordem.

Harfouche – No dia 27 de maio, quando o Campo Grande News publicou matéria sobre a palestra, questionado se transformou evento oficial do Ministério Público em ato religioso, Sérgio Harfouche disse que a Constituição Federal foi promulgada em nome de Deus e que o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) prevê desenvolvimento espiritual.“Não promovi coisa religiosa nenhuma. O artigo terceiro do ECA prevê que a criança tem direito ao desenvolvimento espiritual. Tem pais que falam que fazem de tudo. Digo que em último caso ora com ela. Deus faz parte da nação brasileira. O Brasil não é ateu, ser laico não é ser ateu. Não entendo porque isso. É tão mais relevante tirar essa molecada da rua, da boca de fumo e colocar na escola”, afirmou à reportagem.Ministério Público – A primeira palestra de Harfouche reuniu ao menos 7,9 mil pais de alunos das escolas municipais de Dourados. Inicialmente, todos os pais dos 68 mil alunos de escolas públicas da cidade deveriam comparecer, mas depois o Ministério Público decidiu fazer a audiência apenas com os responsáveis pelos estudantes da rede municipal por falta de espaço.Especificamente sobre a segunda, que estava marcada para o dia 9, o MPE alegou que será preciso rever a logística. A reportagem recebeu duas respostas.A promotora da Infância de Dourados, Fabrícia Barbosa Lima, responsável pela convocação dos pais sob pena de multa de três a 20 salários mínimos e processo por crime de abandono intelectual para os faltosos, informou por meio de nota que “a Secretaria de Estado de Educação, responsável pela organização, enviou um documento à assessoria do Dr. Sérgio Harfouche pedindo o adiamento, a fim de que tenha mais tempo para organizar e definir o local. Informaram, também, que os diretores das escolas têm interesse no projeto, mas precisam de mais tempo para a organização”.Já o MPE, por meio da assessoria de imprensa, que no dia 31 de maio, em reunião realizada entre representantes da SED e diretores de escolas estaduais foi acordada a mudança da data, “com o intuito de alterar a logística” porque “há um interesse por parte dos organizadores do evento em melhorar a comodidade dos pais”.Segundo o MPE, entretanto, o “formato da reunião” também sofrerá alteração a ser definida pela SED. Ainda conforme a assessoria de imprensa do PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) de Mato Grosso do Sul foi a assessoria do procurador Harfouche quem repassou essas tais informações.

Harfouche – No dia 27 de maio, quando o Campo Grande News publicou matéria sobre a palestra, questionado se transformou evento oficial do Ministério Público em ato religioso, Sérgio Harfouche disse que a Constituição Federal foi promulgada em nome de Deus e que o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) prevê desenvolvimento espiritual.

“Não promovi coisa religiosa nenhuma. O artigo terceiro do ECA prevê que a criança tem direito ao desenvolvimento espiritual. Tem pais que falam que fazem de tudo. Digo que em último caso ora com ela. Deus faz parte da nação brasileira. O Brasil não é ateu, ser laico não é ser ateu. Não entendo porque isso. É tão mais relevante tirar essa molecada da rua, da boca de fumo e colocar na escola”, afirmou à reportagem.

Ministério Público – A primeira palestra de Harfouche reuniu ao menos 7,9 mil pais de alunos das escolas municipais de Dourados. Inicialmente, todos os pais dos 68 mil alunos de escolas públicas da cidade deveriam comparecer, mas depois o Ministério Público decidiu fazer a audiência apenas com os responsáveis pelos estudantes da rede municipal por falta de espaço.

Especificamente sobre a segunda, que estava marcada para o dia 9, o MPE alegou que será preciso rever a logística. A reportagem recebeu duas respostas.

A promotora da Infância de Dourados, Fabrícia Barbosa Lima, responsável pela convocação dos pais sob pena de multa de três a 20 salários mínimos e processo por crime de abandono intelectual para os faltosos, informou por meio de nota que “a Secretaria de Estado de Educação, responsável pela organização, enviou um documento à assessoria do Dr. Sérgio Harfouche pedindo o adiamento, a fim de que tenha mais tempo para organizar e definir o local. Informaram, também, que os diretores das escolas têm interesse no projeto, mas precisam de mais tempo para a organização”.

Já o MPE, por meio da assessoria de imprensa, que no dia 31 de maio, em reunião realizada entre representantes da SED e diretores de escolas estaduais foi acordada a mudança da data, “com o intuito de alterar a logística” porque “há um interesse por parte dos organizadores do evento em melhorar a comodidade dos pais”.

Segundo o MPE, entretanto, o “formato da reunião” também sofrerá alteração a ser definida pela SED. Ainda conforme a assessoria de imprensa do PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) de Mato Grosso do Sul foi a assessoria do procurador Harfouche quem repassou essas tais informações.

Campo Grande News